CUIDAR DOS QUE SERVEM

Atualizado: Fev 24

Missionar... é servir e cuidar!

Quais são desafios contemporâneos no aconselhamento aos brasileiros que serão enviados ou já estão servindo no campo missionário? Estão sendo estes acompanhados durante a preparação, nas etapas de envio e quando já estão no campo missionário?

Não oferecer ações poimênicas para eles seria como imaginar, equivocadamente, que os missionários são feitos de algo diferente. É importante lembrarmos que eles são... Anthropos. Sim! Seres humanos sujeitos a todos sentimentos e dores.

I - SENTIMENTOS PARADOXOS

Além da alegria pelo privilégio de servir ao Senhor outras palavras também podem dar significado aos sentimentos que os missionários experimentam: expectativa, mudança, distância, saudade, desafios, adaptação, insegurança... e é comum a pressão e o stress emocional ocupar lugar entre os que serão enviados e seus familiares. Não oferecer ações poimênicas para eles seria como imaginar, equivocadamente, que os missionários são feitos de algo diferente. É importante lembrarmos que eles são... Anthropos. Sim! Seres humanos sujeitos a todos sentimentos e dores.


II – CRISES CONJUGAIS

Quais foram as crises que já foram enfrentadas pelo casal ou pela família que será enviada para o campo missionário? Elas foram apresentadas a algum conselheiro cristão, teve o apoio psicológico? Em um processo completo, Mariano (2015): “descoberta inicial, exploração em profundidade, preparação para a ação e o término do aconselhamento” ou de forma superficial pois eles ‘estão sendo preparados para ir para o campo’. Lembrarmos que o campo missionário, principalmente na primeira etapa, pode se tornar parecido a uma “panela de pressão” onde pequenas crises não solucionadas, podem se tornar grandes e permanentes afetando de forma dura a família. Neste momento, enquanto se adaptam ao campo, muitos missionários estão enfrentando sozinhos estas crises e onde estão é difícil encontrar o apoio que tanto necessitam.


III – RELAÇÃO PAIS E FILHOS

É papel do conselheiro ajudar a família missionária a compreender os difíceis processos que serão experimentados pelos filhos. Não significa que os processos no envio estão errados ou certos (esperamos que sempre sejam feitos da forma mais assertiva possível), sempre será difícil e sensível tanto a saída (deixar para trás) e a chegada (receber o novo) e no caso dos filhos eles estarão na linha de frente (escola, novos relacionamentos, idioma) sendo avaliados com notas pelos seus professores em sua adaptação e proficiência do novo idioma (algo que não acontecerá com os pais). Onde a ausência de muitos é tão sentida será imprescindível a presença dos pais (não como missionários) exercendo com afeto seus papéis sobre seus filhos.


IV – COMPORTAMENTOS E ATITUDES EM NOVO CONTEXTO

O novo contexto de vida da família missionária é a realidade que viverão durante os próximos anos (longo prazo). Como a ausência do anterior e a submersão neste novo contexto estão afetando o comportamento do missionário? Se o conselheiro cristão estiver presente desde o processo inicial com esta família missionária, ele poderá junto com eles alcançar o que nos é proposto por Barrientos (1991), que apresenta cinco objetivos no aconselhamento: “1. Relatar a situação que está enfrentando; 2. Ter uma visão global do problema, e não reparar apenas em detalhes; 3. Descobrir as causas; 4. Tomar decisões e 5. Amadurecer para que, em situações futuras, possa resolvê-los por si mesma”. O importante aqui é que a ação não será posterior ao impacto sofrido na integração deste novo contexto, mas prévio e durante, assim esperamos que os impactos sejam melhor administrados.


V – FUNDAMENTO BÍBLICO TEOLÓGICO

Esperar significa “perder uma oportunidade” dada por Deus?

É urgente o envio de novos obreiros para o campo missionário, e o surgimento de uma oportunidade pode querer nos levar a acelerar processos. Será esta a melhor decisão? Paulo viu um caminho aberto por Deus, mas ele não prosseguiu e retornou para encontrar a Tito.


“[...] vi que o Senhor me havia aberto o caminho para o trabalho ali. Mas eu estava muito preocupado porque não tinha conseguido encontrar o nosso irmão Tito. Por isso me despedi dos irmãos dali e fui para a província da Macedônia.II Cor. 2:12-13


Paulo estava muito preocupado e isto significa cuidado, segundo Hoepfner (2008) "o termo cuidar advém do latim cura, - em sua forma arcaica se escrevia coera -, sendo utilizado num contexto relacional de amor e amizade, expressando uma atitude de cuidado, de desvelo, de preocupação e de inquietação em relação a alguém ou a algo estimado.”. Paulo prosseguiu servindo ao Senhor de forma comprometida, mas neste momento, o apóstolo decidiu retornar para encontrar Tito. Eles não perderam oportunidades, se mantiveram mais unidos e firmes como equipe!

E.RIBEIRO, juntamente com sua família, são missionários desde o ano 2002 entre nossos amigos muçulmanos no Norte da África, aprendendo e servindo com a igreja que é perseguida nesta região. São fundadores do projeto Eu Oro pelo Norte da África.


REFERÊNCIAS:

MARIANO, R. Desafios Contemporâneos do Aconselhamento. Faculdade Teológica Sul Americana: Londrina, Brasil, 2015.

BARRIENTOS, A. Trabalho Pastoral – Princípios e alternativas. Caribe: San José, Costa Rica, 1991.

____________Bíblia Sagrada; Nova Versão Internacional / [traduzido pela comissão de tradução da Sociedade Bíblica Internacional]. São Paulo: Editora Vida, 2000.

HOEPFNER, D. Fundamentos Bíblico -Teológicos da Capelania Hospitalar: Uma contribuição para o cuidado integral da pessoa. EST/PPG: São Leopoldo, 2008.


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