PENSAMENTO SISTÊMICO

Atualizado: Fev 24

Analisando de forma correta circunstâncias complexas.


Na terapia de famílias missionárias devemos primeiro recordar das etapas onde diferentes grupos de apoio atuaram até que o missionário chegasse no campo missionário: família, igreja enviadora, agência missionária e finalmente com equipe local.

Fazer uso da abordagem sistêmica, ou seja, “observar os acontecimentos em seu contexto, estudando como acontecem as relações entre as partes, das partes com o todo e do todo com os demais sistemas”, nos permitirá servir de forma mais efetiva nas soluções de conflitos através de uma compreensão que não será linear ou fragmentada, mas sim complexa da realidade.

Três pressupostos nos ajudarão neste processo:

  • COMPLEXIDADE: Não estamos buscando encontrar um "culpado" no processo, não é uma causa e efeito, simplificando o que é complexo.

  • INSTABILIDADE: Os processos de envio e a vida no campo missionário não são estáveis ou definitivos, então como eles afetam e transformam a todos

  • INTERSUBJETIVIDADE: Como cada participante nestes grupos de apoio, incluindo a família missionária, compreendem uma mesma realidade? Nenhuma opinião (visão) é capaz de conter toda a realidade, mas parte dela.


Para avaliação do grau de funcionalidade ou disfuncionalidade dos missionários e suas famílias estes serão três princípios que também nos ajudarão:

  • PARTE E TODO – “Existem características das partes encontradas no todo e do todo nas partes” (apostila, pág. 33), é na interação entre as partes que irão surgir propriedades presentes apenas na relação. Por exemplo o comportamento de um missionário que está a poucos meses servindo no campo, mas que, ao invés de estar mais tempo interagindo com o novo povo e “mergulhado” nesta nova cultura, faz uso seletivo do seu tempo para estar mais tempo dedicado à sua família. Isto poderia ser visto como inadequado quando analisado por sua equipe, agência missionária e até sua igreja enviadora, mas quando descobrimos que a família deste missionário “precisa” dele mais presente para voltar a se organizar, estruturar e não desintegrar-se nesta etapa de tantos conflitos e pressões que estão vivendo, veremos que sua ação é adequada e necessária para esta família.

  • CONTEXTO – Certa vez um obreiro, com longa experiência, observou que a integração de novos obreiros poderia ser comparado a figura de um trem que para por poucos minutos em uma estação para somente permitir que entrem novos passageiros, estes ao entrarem tem que segurar bem firme e se ajustar de alguma forma pois o trem vai prosseguir em alta velocidade seu caminho. Assim sendo, há grandes possibilidades de surgimento de conflitos pois estes obreiros desconhecem ou ignoram o contexto de origem de seus novos companheiros e como estes contextos afetam seus comportamentos durante a integração do trabalho em equipe no campo missionário.

  • TENDÊNCIAS BÁSICAS – Conservação, cooperação e parceria não são valorizadas na sociedade atual, mas sim a competição e a dominação. Não é incomum vermos esta realidade também fazer parte do processo vivido pelo missionário e sua família, ela não é tão gritante em sua forma, mas tão daninha quanto. Um exemplo simples é quando a equipe de obreiros já estabelecida não permite uma comunicação aberta e impõe variadas restrições sobre estes novos obreiros. Desta maneira dificultam a funcionalidade que se encontra justamente em ter um equilíbrio entre o pertencerem a esta nova equipe (que tem muita experiência) e poderem comunicar com liberdade (apesar da pouca experiência). “É fundamental haver harmonia entre autonomia e dependência, cooperação e competição, dominação e parceria, qualidade e quantidade, racional e intuitivo”.

Quantos são os missionários (sejam solteiros, casados, famílias e seus filhos) que receberam soluções lineares e fragmentadas nos complexos conflitos que enfrentaram onde receberam a resposta que apontou para um único “culpado”: neste caso ele mesmo, o próprio missionário! Respostas como “ele não se adaptou”, “não era chamado”, “não aguentou a pressão”, “não estava preparado”, “sua imaturidade”. Estas afirmações, apesar de inadequadas, infelizmente continuam sendo as mais utilizadas por aqueles que simplesmente querem encobrir desacertos que deveriam ser parte de um aprendizado compartilhado entre todos os grupos de apoio e o missionário.

Por isso propomos o apoio sistêmico, sendo aplicado desde o princípio com o missionário, sua família, e todos os grupos de apoio. Colaborando assim para o melhor enfrentamento dos conflitos que inevitavelmente irão surgir nesta jornada e suas etapas.


E.RIBEIRO, juntamente com sua família, são missionários desde o ano 2002 entre nossos amigos muçulmanos no Norte da África, aprendendo e servindo com a igreja que é perseguida nesta região. São fundadores do projeto Eu Oro pelo Norte da África.

REFERÊNCIAS:

SUENSON SALES, K. Aconselhamento Familiar. Faculdade Teológica Sul Americana: Londrina, Brasil, 2016

OLIARI, A. THOMÉ ACONSELHAMENTO - Construindo Relacionamentos Significativos. Eden: Curitiba, Brasil, 2008


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